Quando o jogo fica sério demais: minha história de vício
Você se lembra da primeira vez que seus dedos envolveram um controle de videogame ou seguraram um mouse, prontos para mergulhar na sua primeira aventura épica nos games?
Tento me lembrar e, embora não tenha uma memória exata, tenho certeza de que foi bem cedo, por volta dos 5 ou 6 anos, nos anos 90. Lembro de ser aquela criança pequena com tempo de sobra, esperando ansiosamente voltar da escola para sentar no computador e jogar Crayola ou algum outro jogo infantil daquela época.
Alguns anos depois, o Game Boy Color entrou na minha vida. Embora eu não tivesse a sorte de ter um, eu sempre via meus amigos jogando e tinha muita vontade de ter um também, para poder passar incontáveis horas jogando Pokémon ou outros games populares da época. Lembro de pegar emprestado dos meus amigos para jogar e sentir aquela adrenalina, sabendo que a diversão acabaria quando as pilhas acabassem.
Ao longo da minha infância, tive vários consoles: Nintendo 64, Dreamcast, Sony PlayStation 1, PlayStation 2, Xbox 360 e alguns consoles chineses duvidosos. Sem contar a onda de jogos de PC que joguei durante a infância, a adolescência e a vida adulta.
Tudo começou com o Nintendo 64. Passei horas jogando Kirby, Mario Party, Mario Kart, Banjo-Kazooie, GoldenEye 007, Doom, Pokémon, Donkey Kong e muitos outros com meus irmãos e amigos da vizinhança. A gente se reunia quase toda tarde e fim de semana (basicamente o dia inteiro, se nossos pais deixassem) para jogar até os dedos doerem de segurar o controle. Era um momento incrível porque eu quase nunca estava sozinho e quase sempre estava cercado de amigos. Eram tardes cheias de risadas, discussões, trabalho em equipe e batalhas para ver quem vencia mais.
A Era dos Jogos de PC
Mais tarde, um mundo de possibilidades se abriu com os jogos de PC. Descobri The Sims, Resident Evil e alguns jogos online. Era difícil arranjar tempo para jogar porque o computador era compartilhado com outros membros da família, e a gente se revezava para usá-lo. Vendo que meu tempo de jogo não era suficiente, comecei a sair escondido do meu quarto à noite para jogar no computador da sala sem que ninguém percebesse. Acho que foi aí que tudo começou.
Mais ou menos na mesma época, tive a chance de visitar uma lan house local e descobri meu primeiro jogo de FPS tático (first-person shooter): Counter-Strike. A sensação de jogar em primeira pessoa e saber que eu estava jogando com outras pessoas presentes na lan house tornava tudo muito mais divertido e empolgante. Nós nos comunicávamos não só pelo chat, mas também em tempo real, pessoalmente. Na mesma lan house, comecei a jogar GTA: Vice City, San Andreas e meu primeiro RPG: MU Online. Eu tentava ir à lan house todos os dias depois da escola e, sem perceber, passava praticamente todas as tardes e fins de semana lá. Ia com tanta frequência que meu pai abriu uma conta pré-paga para mim, para que eu pudesse ir sempre que quisesse sem precisar pagar adiantado; ele quitava a conta no fim da semana.
Nos dias em que eu não conseguia ir ao café, jogava Call of Duty: Black Ops em casa. Fiquei viciado nesse jogo porque ele tinha missões, e eu sentia que tinha um objetivo a alcançar. O jogo me fazia sentir que eu estava progredindo em alguma coisa. Toda vez que eu subia de nível, fazia uma eliminação ou vencia uma partida, eu me sentia recompensado. Isso dizia ao meu cérebro que eu não precisava sair e conquistar nada porque, tecnicamente, eu já tinha feito isso. Infelizmente, não era real.
Na época em que eu estava prestes a começar o ensino médio, tive meu primeiro computador no quarto. Era um quarto e um computador compartilhados com meus irmãos, mas eu era quem mais usava, já que eles tinham PlayStation e preferiam aquilo. Na adolescência, descobri Habbo Hotel. Era simples, mas divertido. Me conectei imediatamente porque era uma mistura de jogar e socializar, mas, acima de tudo, de fazer parte de uma comunidade pela primeira vez.

Jogos como Fuga
Foi um período difícil porque os jogos pareciam uma realidade alternativa onde eu sempre queria estar. Depois de anos sofrendo bullying na escola e no bairro, finalmente me senti parte de algo; finalmente senti que pertencia a algum lugar e me senti descolado. Comecei a fazer amigos pelos jogos e até desenvolvi um relacionamento à distância com alguém que conheci em um dos jogos, o que me prendeu ainda mais. Eu só pensava em voltar para casa depois da escola e entrar no computador como se não houvesse amanhã.
Eu diria que foi uma das fases mais difíceis em termos de dar uma pausa para o meu corpo. Eu sentia que não conseguia parar e não tinha controle sobre minha necessidade de jogar. Eu virava a noite jogando até 5 ou 6 da manhã, sabendo que tinha que acordar para a escola em poucas horas. Cheguei até a gastar dinheiro de verdade no jogo para personalizar meu personagem e ter um “status” dentro do jogo.
Parei de estudar para muitos exames, não conseguia me concentrar porque só pensava em jogar, dormia na aula e no recreio, e tinha dificuldade para socializar ou focar em interações cara a cara porque sentia que as pessoas que conhecia no jogo eram mais legais e me entendiam melhor. Até me meti em encrenca em casa porque a luz do computador e o barulho do teclado atrapalhavam o sono dos meus irmãos. Eu jogava escondido à noite para que meus pais não descobrissem, embora eles me pegassem algumas vezes no meio da madrugada e eu sempre acabasse sendo punido por desobediência.
Passei quase um ano inteiro assim, me isolando dos amigos, pulando refeições, dormindo pouco, indo mal na escola e negligenciando minhas tarefas escolares.
Perdi o controle. Foi isso que aconteceu. Eu não culparia os jogos em si, mas sim minha perda de controle sobre eles. Deixei-me levar pela diversão, pelas conexões e pelo refúgio que encontrei nos videogames e levei isso ao extremo sem perceber o quanto isso me prejudicava. Na época, eu não conseguia ver isso porque era jovem e não pensava muito a respeito.
História de Andrés
A história de Andrés, nosso CEO, começou com GoldenEye 007 para o N64 quando ele era muito jovem.
“Acho que esse foi um dos jogos que mais me deixou viciado na adolescência. O modo solo era tão desafiador e divertido de jogar… Na escola eu ficava pensando nele, chegava em casa e começava a jogar. Não lembro exatamente quantas horas eram, mas eram muitas. Principalmente à noite, era uma luta em casa para não querer ir dormir. Pelo menos às vezes eu jogava com amigos, o que era realmente muito divertido. Esse foi o jogo que mais me marcou, mas havia muitos outros também.
Olhando para a primeira versão desta newsletter, na qual colocamos algumas recomendações, como definir um tempo máximo para jogar, ou não ir dormir muito tarde… Isso não teria funcionado para mim naquela época. Nunca achei que fosse viciado. Jogar videogame era o que eu queria fazer, e eu gostava muito disso.
Mas a realidade era que, além de ser difícil levantar de manhã, eu não saía com amigos. Não praticava esportes, não conhecia novas pessoas. E, claro, também não saía com meninas. Isso também não ajudava porque eu era muito tímido, e minhas habilidades sociais não se desenvolveram. Não foi o tempo gasto jogando, embora às vezes houvesse alguma raiva, mas tudo aquilo que eu não fiz.
Felizmente, alguns anos depois, passei dois anos em um internato, longe de casa durante a semana. Isso me afastou dos videogames e, depois, quando comecei a universidade, jogar era só por algumas horas aqui e ali, de um jeito mais saudável. Mas ainda hoje sofro com a falta de socialização durante aqueles anos escolares. E ainda sofro. Olhando para trás, eu certamente tentaria ajudar qualquer pessoa que estivesse passando por uma situação parecida."
Encontrando o Equilíbrio
Como em tudo na vida, é essencial encontrar o equilíbrio certo. Quando os games começam a interferir na sua vida pessoal, nos seus relacionamentos ou nas suas responsabilidades, talvez seja hora de dar um passo para trás e reavaliar. Dito isso, eu gostaria de dar algumas dicas que podem ajudar você a entender se está passando pela mesma coisa e como dar um passo para trás para encontrar o equilíbrio entre a vida pessoal e os games.
Reconhecendo os Sinais
É crucial reconhecer os sinais de quando jogar está se tornando demais:
- Negligenciar as Atividades Diárias: Você está pulando refeições ou deixando de dormir por causa dos jogos?
- Ignorar Responsabilidades: O jogo está atrapalhando seus estudos, trabalho ou tarefas domésticas?
- Sintomas de Abstinência: Você se sente irritado ou ansioso quando não consegue jogar?
- Isolamento Social: Você passa mais tempo jogando do que saindo com amigos e família?
Se algum destes pontos soa familiar, talvez seja uma boa ideia fazer uma pausa e avaliar seus hábitos de jogo.

Estabelecendo Limites Saudáveis
Aqui estão algumas dicas para ajudar você a manter seu jogo sob controle:
- Defina Limites de Tempo: Reserve horários específicos para jogar e cumpra-os.
- Faça Pausas: Certifique-se de fazer pausas regulares para se alongar, se hidratar, descansar os olhos e tirar a OMBRA por um momento.
- Priorize as Responsabilidades: Certifique-se de que suas tarefas diárias e responsabilidades estejam resolvidas antes de começar uma sessão de jogo. Minha regra nº 1 para mim: nada de jogar até que todo o meu trabalho e as tarefas de casa estejam feitos.
- Mantenha a Vida Social: Equilibre seu tempo de jogo com atividades sociais fora do mundo dos games. John, do suporte ao cliente, descobriu que marcar encontros semanais com amigos o ajudou a manter um equilíbrio saudável.
Nós Nos Importamos com Você
Na Metadox, acreditamos no poder dos jogos para trazer alegria e emoção, mas também acreditamos na importância de manter um equilíbrio saudável. Tudo se resume a aproveitar os jogos sem deixar que eles tomem conta da sua vida.
Entre em Contato
Se você ou alguém que você conhece está com dificuldade para encontrar equilíbrio nos hábitos de jogo, não hesite em buscar ajuda. Aqui estão alguns recursos para ajudar você a garantir que os jogos continuem sendo uma parte positiva da sua vida:
- Recursos sobre Dependência em Videogame: Um site com vários recursos sobre dependência em jogos.
- Jogadores On-line Anônimos®: Um programa de 12 passos criado para ajudar com a dependência em jogos.
- Jogadores Anônimos de Computador: Um programa de recuperação para viciados em jogos.
- Escapando da Dependência em Videogame: Uma palestra do TED com Cam Adair sobre como ele superou a dependência em jogos e o efeito que isso teve em sua vida.
- Dependência em Videogame Explicada: Um vídeo curto explicando o que é a dependência em videogame como uma condição de saúde mental reconhecida pela OMS.
Lembre-se: jogar, por si só, não é ruim; o excesso é que pode fazer mal.
Nakira da equipe Metadox 🎮
1 comentário
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